Vergonha alheia no UOL

Pastor usa nome de Jesus para fazer ‘merchan’ de consórcio na TV

por Ricardo Feltrin ( colunista do UOL)

Se existe uma “vítima” da chamada Teologia da Prosperidade ela é a própria palavra escrita na Bíblia. Essa teoria (ou prática teológica) tem se disseminado de forma surpreendente, e é defendida por evangélicos que crêem –grosso modo– que Deus tem algum tipo de dívida para com o ser humano, ou que tem uma espécie de acordo (com ares de obrigação) de dar-lhe riqueza e felicidade caso a pessoa realmente tenha fé e o queira. A contrapartida geralmente é o fiel desembolsar alguma riqueza própria (dinheiro) em troca da riqueza maior futura.

O pastor evangélico Marco Feliciano, do Ministério Tempo de Avivamento, leva a teoria às últimas consequências em site e em programa na Rede TV. Enquanto garante que Deus atenderá a todos os pedidos de “fiéis”, “perseverantes” ou “valentes”, ele aproveita e vende cursos de teologia, DVDs, CDs de músicas e camisetas. Até aí, ok, nada demais. Mas ele também usa o nome de Jesus em merchandisings.

Segundos após realizar uma oração inflamada (que inclui palavras de língua desconhecida), pastor Feliciano ressurge como garoto-propaganda no mesmo cenário para vender um consórcio de casa própria, o GMF Consórcios.

“Você realiza, então, em nome de Jesus, o sonho da casa própria”, diz o pastor.

Bíblia, hermenêutica e edição

Os pastores e bispos adeptos da teologia ou teoria da prosperidade fazem uso da hermenêutica na leitura da Bíblia para garantir que o que estão fazendo não viola as regras de Deus ou de Jesus. Trata-se de uma espécie de “edição” de conteúdo: cada um usa a Bíblia da forma que lhe interessa.

Senão vejamos: a orientação divina para que os humanos não se percam em desejos materiais em detrimento ao amor por Deus está citada duas vezes, de forma muito semelhante, em dois diferentes Evangelhos.

Em Lucas, 16:13, lê-se: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”

Da mesma forma, em Mateus 6:24, está: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.

Por outro lado há outro trecho em Lucas , 11:9, que diz que ao pedir algo a Deus, o fiel simplesmente receberá o que deseja (de acordo com o merecimento e fé, pressupõem-se). Mas sem precisar fazer um carnê de desafio com uma igreja. Sem intermediários.

“Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.” No caso do pastor do “merchan”, a porta começa com um consórcio para a casa própria.

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É impressão minha ou o Feltrin sabe mais de bíblia do que muita gente?

recife, lá vou eu!

Recife, terra de boas lembranças e amigos pra vida inteira. Ai vou eu!

essa é a minha idéia do paraiso

Leigh Nash cantando já é apaixonante, gosto mesmo quando não entendo o que ela está cantando. Agora tendo a tradução, a coisa fica muito melhor. A música é “My Idea of Heaven” (Minha idéia do paraíso). A tradução é do Thiago, aquele da livraria. Você começa assistindo o video assim 😐 e termina assim :).

vamos ter as nossas canções

Nós vamos ter uma trilha sonora, aquela com as nossas músicas prediletas. Traz as suas pra mim que eu te mostro as minhas, e depois a gente escolhe aquelas que contam melhor a nossa história (todo casal tem uma música pra chamar de sua). E dai quando eu estiver longe, vai bastar ouvir nossas canções pra sentir o coração apertar e desejar voltar correndo pra pertinho de você.

Tocarão as nossas músicas em nosso casamento. Vamos ouvir cada uma delas e rir das frases que falam dos nossos sentimentos, da nossa história, do nosso amor. Vou dançar uma delas com você, se bem que eu nem sei dançar. Mas nesse dia eu nem vou me importar com o que os outros estão achando, seremos apenas eu e você naquele salão. E nos daremos conta de que não estamos a sós quando eu pisar no seu pé e ouvirmos os convidados rindo de nós. Novamente vamos cair na gargalhada, sem saber direito se rimos do erro da dança ou do acerto des nossas escolhas, do nosso sim.

eu tive toc na infância


É engraçado observar que parte dos cacoetes de infância são sintomas claros de que eu tive TOC, o chamado Transtorno Obsessivo-Compulsivo. O TOC é uma doença em que a pessoa revela comportamentos que podem parecer absurdos ou ridículos para a própria pessoa e para os outros, mas que são incontroláveis, repetitivos e persistentes. Eu não tive TOC do tipo que atrapalhou a minha vida, mas eram coisas estranhas e até engraçadas. Minha mãe vivia brigando comigo (“Meu filho, pare com isso!”) e eu me chateava quando ela pedia para eu não fazer algo que para mim tinha que ser feito.

A mania de eco (a mania de eco)
Eu sempre repetia a frase que havia acabado de falar. Na repetição eu falava em voz baixa, mas as pessoas viam minha boca balbuciar. Era uma espécie de verificação pra saber se eu tinha falado a frase corretamente, não sei, algo assim. Agora que descobri que essa mania tem nome, é a chamada Palilalia.

Parte igual para todos
Se eu mastigasse dez vezes de um lado da boca, tinha que mastigar mais dez do outro lado. Para evitar repetir eu dividia a comida para os dois lados da boca e mastigava por igual, “para nenhum dos lados ficar com raiva”. Eu ficava com uma bochecha de Kiko, mas tudo bem. Isso as vezes acontecia também com movimentos do meu corpo. Se por algum motivo eu sentisse que estava batendo o pé direito mais forte que o esquerdo, eu compensava no próximo passo, e seguia igualando o peso do corpo para não deixar “nenhum lado com raiva do outro”. Que ridículo…

Step by step
Mania de organização é uma coisa que tenho até hoje, mesmo nos meus trabalhos com web. Se tiver 30 pixels de um lado do botão, tem que ter 30px do outro lado também. Quando eu andava com alguém sempre tinha que igualar os meus passos com o da pessoa. Os amigos que queriam me irritar faziam o jogo de repetir o passo com a mesma perna só pra atrapalhar. Se a calçada era feita de vários quadrados, a caminhada deveria ser uniforme: se comecei pisando dentro do quadrado, tinha que pisar apenas dentro do quadrado até o fim da calçada. O mesmo valia para pisar apenas na linha.

Outras manias
– pentear as sobrancelhas com as mãos;
– morder os lábios;
– arrancar gravetos de árvores e ficar quebrando em pedacinhos;
– arrumar a comida no prato (e deixar ele limpo no final);
– arrumar as cédulas na ordem, por valor e na mesma posição.

A maioria dessas manias foram embora no início da adolescencia, permanece apenas a mania de simetria nos meus trabalhos de design. Mas se você acha que eu era maluco, pesquise mais sobre TOC e descubra cacoetes que você não vai acreditar, tais como a Coprolalia, uma tendência involuntária de proferir palavras obscenas ou fazer comentários inadequados sem motivo nenhum de maneira incontrolável (nem vou citar exemplos hauahaua).

E você tinha (ou tem) manias também? Confessa ai nos comentários, vai! Eu sei que, assim como eu, você não é maluco!

“Mais cedo ou mais tarde você irá perceber, assim como eu percebi, que há uma diferença entre conhecer o caminho e andar por ele.” Morpheus (Matrix)

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