um ‘não-sei-o-que’ dentro de mim

Boa música causa um ‘não-sei-o-que’ dentro de mim. É uma coisa estranha, que não é engraçada mas tira um sorriso do meu rosto. Não é comida, mas me dá uma dorzinha na barriga, não é brinquedo que gira, mas me deixa meio zonzo. Dá aquela inveja boa de pensar “porque é que eu não fiz isso” ou “eu queria ter tanto talento assim”. A música boa mexe comigo porque as vezes ela fala o que eu queria falar, mostra o que eu queria mostrar, expressa toda a minha emoção guardada. As vezes ela me faz chorar… chorar e rir ao mesmo tempo. A boa música me inquieta, faz com que eu me jogue num sofá numa hora e procure um banquinho de madeira 30 segundos depois. Me dá uma sensação de quietude junto com uma inquietação sem compreensão. Não se explica, não se entende, só se sente… e no final é muito bom. Boa música causa um ‘não-sei-o-que’ dentro de mim.

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geninhos precoces

Alguém viu o pernambucano Vitor Aráujo no Caldeirão do Huck? Ele também se apresentou no Jó Soares e no Altas Horas. Mais eu vi mesmo no Caldeirão e fiquei vidrado com a interpretação do garoto. Ele tirou erudito do pop e pop do erudito no seu piano de calda, numa interpretação de arrepiar. O cara tira som de dentro do piano, das teclas, da caixa de madeira, fica em pé sobre ele, parece até que dá uma incorporada no meio da música. Genial! E o cara só tem 19 anos! Ai eu fico pensando, que geração precoce essa nossa que tem tantos gênios (tão novos) na poesia, na música, na arte, na informática…

Outro exemplo é a Malu Magalhães. Ela pode até ser marcha-lenta na hora de falar alguma coisa, mas enquanto cantora e compositora ela manda bem demais. E a menina só tem 16 anos. Ela é tão precoce que tá namorando um pedófilo cara de 30 anos, nada menos que Marcelo Camelo (Los Hermanos).

Voltando a falar em interpretação, também tava assistindo uns videos de algumas outras bandas novas pra mim e pensando sobre padrões. Quando o cantor não faz cara de comercial a gente acha estranho, queremos novidade mas temos medo do novo. E se você for evangélico pior ainda, que logo vai achar que aquela perfomance músical tão passional tem algo a ver com espiritismo. Nós e nossos padrões…

Ah, achei um video da banda que assisti no último final de semana, que falei aqui uns dois posts atrás. O vocalista tá bem comportado nesse video, diferente do louco que eu assisti no último sábado. O vídeo tá um ‘pouco’ tremido, mas ta valendo pra ouvir a música pelo menos. Rock alagoano de qualidade. Apreciem!

Overdose

Em tempos de Los Hermanos abrindo o show do Radiohead, achei uma pérola no DreaMule. Um pack que na minha idéia teria a discografia completa dos caras, ou seja 5 albuns. Mas existe gente louca e fã dos Los a ponto de ter muito mais do que isso. Olha só o conteúdo do compactado:

– Fita Demo [1998]
– Los Hermanos [1999]
– Bloco do Eu Sozinho [2001]
– Ao Vivo Rádio Atlântida [2003]
– No Tim Festival [2003]
– Ventura – 1ª Edição ultra rara [2003]
– Ventura – Oficial [2003]
– Festival de Verão na Bahia [2004]
– Luau MTV [2004]
– Coca-cola Vibezone [2004]
– Bem Brasil [2004]
– Cine Íris – DVD Audio [2004]
– 4 [2005]
– Casa do Conde [2005]
– Raras & Nunca Lançadas – Vol. 1 e 2 [2005]

Vou ter uma overdose dos Hermanos essa semana. Acho tão ruim…

em três sessões

eek

Posso ser chamado de eclético ou sem um gosto específico definido, não sei dizer bem, a única coisa que eu sei é que até as coisas que eu sempre dizia que nunca ouviria, eu estou ouvindo hoje. É música de qualidade? Eu tô ouvindo, independente de preconceitos contra ritmos, grupos ou formas de se vestir. E minha noite de ontem foi a expressão máxima disso: dei uma passada numa feira de artesanato, depois fui a um show de bandas de rock locais e terminei a noite ouvindo uma banda de pagode de uns amigos meus.

Mas quero falar em específico sobre o show muuuuito bacana de rock. A convite de minha amiga Cibele (que só me indica coisa boa) fui ao ‘Intr3sessões’, onde três bandas alagoanas estariam se apresentando: Mr.Freeze + Eek + Manhoot.

Eu, na verdade, só fui mesmo ouvir a Eek, com suas letras tão poéticas, ‘loshermanamente’ agradáveis, com guitarras e bateria muito bem tocadas, sem falar do vocalista que eu conheci a pouco tempo, gente da melhor qualidade. É ele quem compõe as músicas da banda, daquelas que você fica desejando ter feito, porque elas quase sempre falam coisas que você também sente. Fiquei o show todo pensando em que bolha eu estava vivendo (???) esse tempo todo que não me deixava conhecer música de qualidade, tocada por alagoanos, como aquelas. Quem quiser conhecer mais, dá pra ouvir as músicas dele no www.myspace.com/eeksomlegal). Recomendação especial para a música “Onde quer que faça sentido”.

Mas dai, depois da apresentação da Eek, eu fui ficando e cada vez mais me impressionando com o cenário do rock alagoano que eu realmente não conhecia nada. Acho que eu era o único ali que nunca tinha ouvido falar da banda que veio depois, a Mr. Freeze. Assustei no início, me arrepiei no meio e virei fã até o final. A banda toca um rock totalmente alagoano, suas letras falam da terra amada com muita paixão e a música mistura as distorções da guitarra com o som tradicional do nordeste. O vocalista é louco (ou pelo menos é para os meus padrões), ele incorpora a música de uma forma tão intensa que pode te chocar ou fazer se apaixonar. Não sei explicar direito, só sei que eu gostei. Você pode saber um pouco mais da banda no www.myspace.com/bandamrfreeze.

Meus horizontes nunca estiveram tão ampliados. Para alguns um perigo, para mim uma aventura maravilhosa. Ah, não ouvi a Manhoot, quando eu cheguei eles já haviam tocado.

—-

Outras bandas alagoanas:
Gato Zarolho – http://www.myspace.com/gatozarolho
Wado –  http://www.myspace.com/wwwado

Lugar comum

Existia algo em comum entre aquelas duas pessoas, o mesmo pensamento recorrente que os fazia perder o sono: a ideia fixa de não mais fazer planos solitários para o futuro, mas de sonharem juntos como seriam os próximos anos de suas vidas. Distantes um do outro durante todo o dia, procurando uma chance de se encontrar pra conversar ou apenas se olhar e sorrir. Eram poucas as palavras, mas o sorriso timido nas poucas vezes se encontravam denunciava um paixão que estava começando a nascer.

O pensamento que lhes tirava o sono também os perseguia durante o dia, durante o trabalho, na hora da aula. Ainda se conheciam tão pouco, mas as tantas afinidades pareciam denunciar o porque do destino ter marcado aquele encontro. No coração restavam algumas lembranças de relacionamentos anteriores que não deram certo e deixaram um lembrete sempre a vista de que ‘guardar o coração’ era preciso. Mas todo o cuidado não os livrava do risco do inevitável: uma paixão estava nascendo. O sensação de ser aquele um sentimento eterno parecia crescer a cada nova evidencia de que os seus sonhos e planos se encaixavam perfeitamente.

No final do dia, mesmo não estando a sós como gostariam, sentados um ao lado do outro, se sentiam tão completos pelo simples fato de estar tão perto da pessoa que povoaria os seus pensamentos durante aquela próxima noite sem sono.

“Mais cedo ou mais tarde você irá perceber, assim como eu percebi, que há uma diferença entre conhecer o caminho e andar por ele.” Morpheus (Matrix)

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