num papel de pão

Era um dia comum. Ela estava linda, mas eu nem percebi, ela quem me percebeu. Ficamos por horas um perto do outro, mas eu não a notei direito. Ela estava linda, mas minha baixa auto-estima me impedia de sonhar um dia tê-la pra mim. Mas ela me olhava e se perguntava o porque de eu estar sozinho.

“Me adiciona no msn, preciso de um favor seu!”. Eu não sabia, não tinha percebido, mas esse seria o primeiro contato direto com alguém que mudaria meu modo de ver e viver uma paixão. Só precisamos de três dias para cair na real de que tinhamos mais em comum do que jamais imaginávamos. E o coração batia forte toda vez que o seu nome ficava verdinho na minha lista de contatos. Os amigos de trabalho logo percebiam a minha cara de bobô e brincavam: “lá vai ele, apaixonado pelas palavras de um contato que ficou verdinho”. E eu esperava o dia inteiro por esse momento. Horas que não passavam, coração que acelerava toda vez que um contato com um nome parecido com o dela me chamava, a hora que ela costumava conectar (e ela atrasava ás vezes), e então ela aparecia. Mesmo podendo apenas ler os seus pensamentos em palavras, eu podia ver o seu belo sorriso do outro lado do computador, a quilômetros de distancia de mim. Mas eu ainda não conseguia acreditar que aquela bela menina-mulher estava dando sinais de paixão por mim. A mesma baixa auto-estima que não me deixou notá-la no começo, agora me fazia desacreditar dos seus sentimentos. Não, era muito pra mim, perfeita demais pra ser verdade.

Nos encontramos. A minha vontade de era de beija-la ali mesmo, como nos filmes americanos. Numa esquina qualquer de sua cidade, eu a via pela primeira vez, agora sim eu a podia ver, notar, admirar, não como da outra vez, mas agora sonhando e desejando ser aquele a quem ela chamaria de “meu bem”. Conversas tão vagas, assuntos que tentavam disfarçar o nervosismo de estar juntos. O seu lindo sorriso só me deixava sem graça, desconcertado, mais apaixonado do que antes. Ao deitar eu tive medo de dormir e acordar daquele sonho. Fiquei bolando na cama por horas, imaginando como seria o nosso próximo dia.

Ela sabia como fazer daquele dia o mais marcante da minha vida. Exposições de arte, balões São Roque azul e branco, apresentações de percusão, algodão-doce, um programa cultural, emocionante, com tantas cores, sons e imagens, perfeito pra ser guardado por completo na minha fábrica de recordações. E depois veio um presente, uma caixinha feita a mão, com trilha sonora embalada numa caixa de acrílico, a música que marcaria a cadência do nosso coração dali pra frente. Uma volta na beira da lagoa e era hora de voltar pra casa. Ela deitou no meu ombro e dormiu no trajeto em direção a rodoviária. Não lembro de mais nada, do valor da passagem ou do percusso que fizemos, lembro apenas de nóis ali sentados no onibus que pra mim parecia vazio. Só nós dois ali, minha última lembrança dessa paixão.

Na rodoviária lhe entreguei um cartão, feito a mão. Escrito com caneta Bic, estava ali o meu coração, poesia e paixão num papel de pão.

“Mais cedo ou mais tarde você irá perceber, assim como eu percebi, que há uma diferença entre conhecer o caminho e andar por ele.” Morpheus (Matrix)

Calendário

julho 2017
D S T Q Q S S
« set    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031