Lugar comum

Existia algo em comum entre aquelas duas pessoas, o mesmo pensamento recorrente que os fazia perder o sono: a ideia fixa de não mais fazer planos solitários para o futuro, mas de sonharem juntos como seriam os próximos anos de suas vidas. Distantes um do outro durante todo o dia, procurando uma chance de se encontrar pra conversar ou apenas se olhar e sorrir. Eram poucas as palavras, mas o sorriso timido nas poucas vezes se encontravam denunciava um paixão que estava começando a nascer.

O pensamento que lhes tirava o sono também os perseguia durante o dia, durante o trabalho, na hora da aula. Ainda se conheciam tão pouco, mas as tantas afinidades pareciam denunciar o porque do destino ter marcado aquele encontro. No coração restavam algumas lembranças de relacionamentos anteriores que não deram certo e deixaram um lembrete sempre a vista de que ‘guardar o coração’ era preciso. Mas todo o cuidado não os livrava do risco do inevitável: uma paixão estava nascendo. O sensação de ser aquele um sentimento eterno parecia crescer a cada nova evidencia de que os seus sonhos e planos se encaixavam perfeitamente.

No final do dia, mesmo não estando a sós como gostariam, sentados um ao lado do outro, se sentiam tão completos pelo simples fato de estar tão perto da pessoa que povoaria os seus pensamentos durante aquela próxima noite sem sono.

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vamos ter as nossas canções

Nós vamos ter uma trilha sonora, aquela com as nossas músicas prediletas. Traz as suas pra mim que eu te mostro as minhas, e depois a gente escolhe aquelas que contam melhor a nossa história (todo casal tem uma música pra chamar de sua). E dai quando eu estiver longe, vai bastar ouvir nossas canções pra sentir o coração apertar e desejar voltar correndo pra pertinho de você.

Tocarão as nossas músicas em nosso casamento. Vamos ouvir cada uma delas e rir das frases que falam dos nossos sentimentos, da nossa história, do nosso amor. Vou dançar uma delas com você, se bem que eu nem sei dançar. Mas nesse dia eu nem vou me importar com o que os outros estão achando, seremos apenas eu e você naquele salão. E nos daremos conta de que não estamos a sós quando eu pisar no seu pé e ouvirmos os convidados rindo de nós. Novamente vamos cair na gargalhada, sem saber direito se rimos do erro da dança ou do acerto des nossas escolhas, do nosso sim.

num papel de pão

Era um dia comum. Ela estava linda, mas eu nem percebi, ela quem me percebeu. Ficamos por horas um perto do outro, mas eu não a notei direito. Ela estava linda, mas minha baixa auto-estima me impedia de sonhar um dia tê-la pra mim. Mas ela me olhava e se perguntava o porque de eu estar sozinho.

“Me adiciona no msn, preciso de um favor seu!”. Eu não sabia, não tinha percebido, mas esse seria o primeiro contato direto com alguém que mudaria meu modo de ver e viver uma paixão. Só precisamos de três dias para cair na real de que tinhamos mais em comum do que jamais imaginávamos. E o coração batia forte toda vez que o seu nome ficava verdinho na minha lista de contatos. Os amigos de trabalho logo percebiam a minha cara de bobô e brincavam: “lá vai ele, apaixonado pelas palavras de um contato que ficou verdinho”. E eu esperava o dia inteiro por esse momento. Horas que não passavam, coração que acelerava toda vez que um contato com um nome parecido com o dela me chamava, a hora que ela costumava conectar (e ela atrasava ás vezes), e então ela aparecia. Mesmo podendo apenas ler os seus pensamentos em palavras, eu podia ver o seu belo sorriso do outro lado do computador, a quilômetros de distancia de mim. Mas eu ainda não conseguia acreditar que aquela bela menina-mulher estava dando sinais de paixão por mim. A mesma baixa auto-estima que não me deixou notá-la no começo, agora me fazia desacreditar dos seus sentimentos. Não, era muito pra mim, perfeita demais pra ser verdade.

Nos encontramos. A minha vontade de era de beija-la ali mesmo, como nos filmes americanos. Numa esquina qualquer de sua cidade, eu a via pela primeira vez, agora sim eu a podia ver, notar, admirar, não como da outra vez, mas agora sonhando e desejando ser aquele a quem ela chamaria de “meu bem”. Conversas tão vagas, assuntos que tentavam disfarçar o nervosismo de estar juntos. O seu lindo sorriso só me deixava sem graça, desconcertado, mais apaixonado do que antes. Ao deitar eu tive medo de dormir e acordar daquele sonho. Fiquei bolando na cama por horas, imaginando como seria o nosso próximo dia.

Ela sabia como fazer daquele dia o mais marcante da minha vida. Exposições de arte, balões São Roque azul e branco, apresentações de percusão, algodão-doce, um programa cultural, emocionante, com tantas cores, sons e imagens, perfeito pra ser guardado por completo na minha fábrica de recordações. E depois veio um presente, uma caixinha feita a mão, com trilha sonora embalada numa caixa de acrílico, a música que marcaria a cadência do nosso coração dali pra frente. Uma volta na beira da lagoa e era hora de voltar pra casa. Ela deitou no meu ombro e dormiu no trajeto em direção a rodoviária. Não lembro de mais nada, do valor da passagem ou do percusso que fizemos, lembro apenas de nóis ali sentados no onibus que pra mim parecia vazio. Só nós dois ali, minha última lembrança dessa paixão.

Na rodoviária lhe entreguei um cartão, feito a mão. Escrito com caneta Bic, estava ali o meu coração, poesia e paixão num papel de pão.

paixões e trilhas sonoras

Nunca fui do tipo namorador. Meu primeiro beijo foi aos 18 anos com minha primeira namorada num tempo que tenho poucas lembranças. Antes disso já tinha tido um grande amor platônico e algumas paixões, coisa de adolescente sonhador. De lá pra cá também não tive muitas namoradas, mas tive grandes paixões, coisas de um homem de vinte e poucos anos ainda sonhador. E algumas dessas tantas paixões tiveram trilhas sonoras inesquecíveis, daquelas músicas que você ouve e lembra até o cheio da pessoa. Tava lembrando disso outro dia quando ouvi uma dessas músicas e fui quase que teletransportado para momentos que ficaram marcadas na minha memória, para lugares que lembrarei para sempre. Consigo lembrar de três delas que me fazem lembrar de três pessoas especiais. Nenhum amor profundo, apenas paixões que merecem ser lembradas.

Escrevi – Novo som
Essa tá na cara que é da adolescencia e foi tema da minha primeira paixão. Era um sucesso cantar isso pra namorada. Hoje quando olho a letra dessa música não entendo porque a gente cantava isso pensando na paquerinha, se a música era na verdade uma declaração de amor pra Deus. Mas enfim, era um tempo que cantar Tom Jobim não se aplicava bem a um garoto cristão.

Come Away With Me – Norah Jones
Essa é de uma paixão que veio com muita força, que veio muito rápido e foi embora mais rápido ainda. Tempo de bom de redescobrir o poeta que havia em mim que a tempos havia adormecido. O bom de tudo isso é que eu conheci Norah Jones e não parei de escutar até hoje.

There she goes – Sixpence None The Richer
Sixpence me lembra cheiro, olhar, hora e lugar de alguém muito especial. Foi a minha melhor trilha sonora e, até que se prove o contrário, minha melhor paixão. Tem gosto de tapioca, cheio de mar, olhar vivo, hora e dia marcado pra acontecer. E não é difícil embalar uma paixão ao som da voz da Leigh Nash, não é verdade?

“Mais cedo ou mais tarde você irá perceber, assim como eu percebi, que há uma diferença entre conhecer o caminho e andar por ele.” Morpheus (Matrix)

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