não fui feito pra solidão

Eu não sei viver sozinho, não fui feito pra solidão. Amo fazer amigos. Caminho por horas pelos amigos do orkut, relembrando momentos, matando a saudade, conferindo os nossos amigos em comum. Vez por outra mando mensagem pra algum (“Quanto tempo! Que saudade de quando a gente…”). Sou feliz quando tenho pessoas perto de mim. Perco muito tempo no GTalk (muito pouco no MSN), ligo pro amigos no celular só pra ouvir a voz e saber como está, gosto de companhia mesmo quando não tenho muito a falar, apenas ouvir.

No meu último emprego eu ficava calado no computador, com um fone de ouvido, sem querer ser interrompido no meu processo criativo. Mas não durava muito, logo eu tava levantando da cadeira e andando pelos outros setores. Hoje trabalho em casa, o dia todo sozinho, e percebo a diferença que faz ter alguém do lado pra conversar. Enquanto trabalho no quarto, sempre deixo a televisão ligada na sala. É pra espantar a solidão, pra ouvir a voz de alguém, de gente, nem que não esteja convensando diretamente comigo. Como diria Tom Jobim, “é impossível ser feliz sozinho”.

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a necessidade de ser original

Tenho um grupo de amigos em Curitiba, que raramente ouve Diante do Trono, alias, quase ninguem ouve. A galera tem uns gostos bem diferentes, gostam daquilo que nornalmente ninguem gosta. E outro dia me peguei pensando que gostar do que a maioria gosta no meio de um grupo que ama ser ‘alternativo’ é no mínimo muito corajoso. Hoje tava lendo o blog do Mossad e ele tirou uma brincadeira quando falou que tinha ido a Lagoinha. “6 anos atrás eu estava em minas. Participei de um evento de adoração na lagoinha (vergonha?)“, como se alguem fosse falar: “Mas você, Jota, na Lagoinha?”

Não toh falando do Jota agora, toh falando da coisa ridícula que é isso de querer ser alternativo ou emergente, ou sei lá o que, que não gosta de um estilo musical ou de um modo de se vestir, e olha diferente pra todo mundo que pensa diferente dele. Afinal, não estamos repetindo a mesma atitude que abominamos? “Eu não gosto da maioria porque eles criticam o nosso jeito alternativo de se vestir!”, mas critica o modo que a maioria se veste porque o seu modo alternativo é o melhor ou mais bonito?

Eu pensava muito sobre isso quando estudei no CEFET. Nunca vi tantas tribos numa só escola, existia uma certa liberdade de se vestir e ser o que se era ali. Dai eu ouvi alguns roqueiros falando que se vestiam de preto pra serem diferentes, mas se pensarmos bem eles não se tornavam iguais aos outros que se vestem de preto também? Logo, que necessidade é essa de ser original? Papo chato e confuso, né! Mas enfim, me peguei pensando nisso quando lembrei que fui a um congresso do Silas Malafaia com meu pai. Seria uma vergonha falar que eu gostei? Seria “vai-com-os-outros” dizer que gosto da Valadão? Melhor mesmo é me livrar dessas preocupações e não me incomodar com conceitos e estereótipos.

quem é legal e quem irrita?

Essa semana me peguei pessando muito no diálogo de um filme que assisti. E isso tem me feito refletir sobre tanta coisa.

__ Não quero mais errar, Gerry!
__ Você está na espécie errada, amor! Seja um pato!

Dia 15 desse mês fiz 26 anos, mais um pouquinho e eu chego aos trinta. Boa parte desses 26 anos eu vivi na infinita insatisfação de não ser ainda o que deveria ser, na eterna busca de ser alguem melhor. Fazendo o balanço hoje vejo que não foi de todo negativo, pelo contrário, tem sido bom demais essa busca por melhorias. Mas vez por outra eu me pego pensando que tem coisas que não precisam mesmo serem melhoradas, que devem ser exatamente dessa maneira, que fazem parte de mim. Um bom exemplo disso é o fato de blogar ou comentar o blog dos outros, pensei nisso enquanto lia um post do “I Stand for him“, sobre a nossa busca por falar coisas que as pessoas gostam. Como se o IBOPE controlasse nossas palavras fazendo o raking do “quem é legal e quem irrita”. Deve ser a influência (em especial para quem ama televisão) dessa luta de audiências que assistimos na tv.

Ainda não tenho uma conclusão sobre isso, apenas andei pensando… e continuo pensando nisso. Incrível o poder que a busca pela perfeição tem sobre nós. Isso me faz lembrar uma aula que tive na Jocum, onde um professor falava que santidade não é sinônimo de perfeição (ou não deveria ser). Isso coloca um peso muito grande sobre os nossos ombros, que pode até nos fazer buscar sempre ser melhores ou então simplesmente desistir de tentar. Quem não conhece a história de alguem que desistiu de tentar acertar e se largou no erro? Eu sempre me perguntei porque ouvimos (ou “eu ando ouvindo”) tão poucas pregações sobre um Deus de amor e perdão, e estamos tão infestados de palavras sobre mudança e transformação radical (alias, tem palavra mais chatinha que “radical”?).

Ainda não tenho uma conclusão sobre isso, apenas andei pensando… e continuo pensando nisso.

“Mais cedo ou mais tarde você irá perceber, assim como eu percebi, que há uma diferença entre conhecer o caminho e andar por ele.” Morpheus (Matrix)

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